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Saturday 31 October 2009

Amigos morrem,
as ruas morrem,
as casas morrem,
os homens se amparam em retratos
ou no coração dos outros homens.

(Ferreira Gullar)

Friday 30 October 2009

... Será maior a tua dor
que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta
sem ao menos poder morrer.

(Ferreira Gullar)

Thursday 29 October 2009

O amor não existe, é uma invenção capitalista.

Wednesday 28 October 2009

...Mas também, as vezes, a noite é outra; sozinho, em postura de meditação (será talvez um papel que me atribuo?), penso calmamente no outro, como ele é; suspenso toda interpretação, o desejo continua a vibrar (a obscuridade é transluminosa), mas nada quero possuir, é a noite do sem-proveito, do gasto sutil, invisível: Estoy as oscuras. Estou láeu sentado simples e clmamente no negro interior do amor.

(Roland Barthes)

Tuesday 27 October 2009

Numa ilha-do-norte-onde-não-sei-se-por-sorte-ou-por-castigo-dei-de-parar-por-algum-tempoo-que-afinal-pasou-depressa-como-tudo-tem-de-passar-hoje-eu-me-sinto como se agora também ontem, amanhã, como se a primeira não sucedesse ao inverno, como se não devesse nunca ter ousado quebrar a casca do ovo, como se fosse necessário acender todas as vezes e todo o incenso que há pela casa para afastar o frio, o medo e a vontade de voltar.

Monday 26 October 2009

Estranhos estrangeiros - Caio Fernando Abreu

Pareço uma dessas árvores que se transplantam, que têm má saúde no país novo, mas que morrem se voltam à terra natal.

[Miguel Torga]